[COLUNA CANTO DO CONTO] Café e Cigarros.


Boa noite leitores!
Depois de alguns meses fora do ar, está de volta nossa Coluna Canto do Conto.


Por motivos de força maior nossa colunista teve que se afastar do blog por um tempo, e fiquei muito contente quando ela deu o sinal verde para a sua volta.

Apreciem o seu texto, sem moderação.


Sobre cafés e cigarros


 "Têm coisas que são pesadas demais até para o mais comum dos homens. Às vezes, tornamos a vida besta e pesada. Demais."(Paráfrase do conto Cotidiano do livro A Estação)

Senta ao seu lado. Toma o café da manhã silenciosamente. Um gole de café seguido de uma boa tragada. Pousa o cigarro no cinzeiro. Olha para a tv apenas para repousar seus olhos pois os pensamentos estão perdidos em sua mente divagante. Ela, indiferente, senta na poltrona ao lado. Toma um gole de café com leite frio seguido de um pão dormido. Olha para a tv apenas para repousar seus olhos pois sua mente esta longe e cheia de lembranças. Na vitrola toca Old Habits died hard. Olham-se de rabo de olho. Dão um leve sorriso. Sorrisos denunciadores da idade. Seus olhos enrugados novamente repousam na TV.
                                                                        ...

Chegava por volta das nove da manhã. A essa hora ela já havia posto a mesa para cearem juntos. Senta ao seu lado. Tomam o café animadamente. Ele empolgado fala sobre seus novos projetos. Ela, poeta publicada, sobre novas propostas de editoras. Cigarros e conversas são trocados e o café fresco é tomado. Na vitrola toca Old Habits died hard. Ela o puxa para dançar. Caem no colchão recém-comprado. Sexo e poesia são feitos simultaneamente se é que isso é possível. Dão uma deliciosa gargalhada. Gargalhada denunciadora da felicidade. Seus corpos e olhos repousam um no outro.

                                                                        ...

 São seis horas da tarde de um domingo. Os dois aceitam fazer parte na vida um do outro de forma integral e eterna. O discurso e juramento amoroso são testemunhados em uma pequena cerimônia, por amigos, família e pelo padre. Na festa de casamento toca Old Habits died hard. Os dois dançam como se estivessem a sós. Dão um leve sorriso. Suas almas arranjam um repouso eterno.
                                                                        ...

Ela toma um conhaque em uma mesa e ele uma cerveja com os amigos. Observam-se de longe por um longo tempo. Nervoso, ele apalpa o bolso da sua calça à procura de cigarro. Nessa procura não vê se aproximar a mulher do flerte.
- Aceita um cigarro?
Ele olha para ela e sorri. Ela sorri. Old habits died hard é tocada pelo DJ. Dançam e combinam um Café para mais tarde. Naquele momento, naquele bar, seus espíritos repousam um no outro. E não desejam outro lugar ou outro alguém para habitar.
Tem coisas que são belas demais até para o mais comum dos homens. Ás vezes, podemos torna-la bela e leve. Demais.



Espero que tenham gostado.
Bjus




9 comentários:

  1. Adorei o conto!!! Van escreve super bem!!! Adorei!! Algo simples, mas a imaginação do leitor pensa no depois!

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    1. Obrigado Gabriela. Também gosto muito do estilo da Vanessa. Beijos

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  2. Conto não é meu gênero favorito de leitura, mas adora avaliá-los, meus alunos que o digam. Parabéns a autora pela criatividade.

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    1. Vle Ver; obrigado pelo comentário. Beijos

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  3. A Vanessa escreve muito bem,e fico feliz dela estar de volta....

    Adorei o conto...

    bjsss

    Bianca

    Apaixonadas por Livros

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  4. Conto muito bem escrito... Gostei de como a Vanessa intercalou os momentos dos dois com a música "Old habits died hard"... mensagem subliminar? Funcionou, rsrs... Estou ouvindo agora e uma dedução: ótima música pra se entrelaçar a duas vidas.
    .
    http://leiagarotaleia.blogspot.com.br/

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  5. Obrigada pelos comentários! Fico feliz que tenham gostado! :)

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  6. Obrigada pelos comentários! Fico feliz que tenham gostado! :)

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  7. Bem interessante, um conto simples, rápido mas que prende sua atenção.

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