[RESENHA] Uma Chance para Recomeçar - Diana Scarpine - Editora Pandorga


Bom dia seus lindos!

Hoje vou compartilhar com vocês, minhas impressões sobre um romance lindo, forte e que consegue romper barreiras e preconceitos!
Vem comigo...


UMA CHANCE PARA RECOMEÇAR


Ficha Técnica:
Autora: Diane Scarpine
Editora Pandorga
Formato: 16x23 cm
Páginas: 432
ISBN: 978-85-8442-135-0
Assunto: Romance
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 39,90
Sinopse:
Carina é uma workaholic risa e bem-sucedida cuja vida se resume ao trabalho. Afogada em estresse, ela não se importa com a solidão que habita seu coração, pois o amor nunca foi uma das suas prioridades, até que algo inusitado acontece. Repentinamente, ela se vê privada do trabalho e deseja aplacar a solidão que a consome, principalmente quando conhece Aurélio, que a trata de uma forma diferente da qual ela está acostumada. Consumido pela tragédia que vitimou sua família e deixou-lhe seqüelas físicas e emocionais, Aurélio não quer nada além de se afundar cada vez mais na dor e na culpa que sente. Suas certezas começam a ficar abaladas à medida que Carina se aproxima cada vez mais dele. Quantos obstáculos precisam ser vencidos para recomeçar? O amor é capaz de vencer as amarras do passado e o preconceito?


Este é o primeiro livro que leio e resenho da autora Diana Scarpine, que é uma das mais novas parceiras do blog. Por este motivo não quis ler resenhas, para não criar expectativas ou me influenciar por alguma delas. Com isso não tinha muitas expectativas e pude ler com total isenção de achismos.

O livro tem 425 páginas, dividido em 76 capítulos. Os capítulos são curtos, o que dá mais dinâmica e fluidez a história. A história é contada sobre pontos de vista alternados entre os dois protagonistas, Aurélio e Carina. A escrita da autora é firme, coesa, e muito bem trabalhada.

Antes de iniciar a resenha propriamente dita, gostaria de fazer uma consideração sobre a minha leitura. Quando recebi o livro, apesar de ter lido a sinopse e ficado bastante curiosa quanto a história, eu não sabia muito bem o que esperar. Como comentei acima, não tinha grandes expectativas, porque não tinha lido nada da autora antes e por não ter lido nenhuma resenha. Isto foi um grande diferencial. Porque logo que iniciei a leitura, confesso que a princípio, quando terminei de ler o primeiro capítulo, estava meio descrente e sem saber se eu iria conseguir gostar da história. Digo isso porque a atitude da protagonista, frente a algo sério que ocorre com sua saúde, foi desproporcional ao problema apresentado. No lugar dela eu e acho que a grande maioria de nós, teria corrido imediatamente para uma emergência, ou ao menos pedido ajuda. E isto foi algo que ela não fez. Simplesmente frente a algo tão grave, somente se abateu, chorou, e continuou seu final de semana normalmente, deixando para ir ao médico somente na segunda ou terça-feira da semana seguinte. Wath???
Isto realmente me causou estranheza, e como disse me fez ter medo de não curtir a protagonista e não conseguir me conectar a ela, e consequentemente à história. Bom, lembra o lance do diferencial, que comentei no início? Então... A partir do segundo capítulo e da entrada de Aurélio na história, a minha percepção inicial de Carina foi mudando. A cada novo capítulo, eu ia conhecendo um pouco mais de sua personalidade, de suas carências e inseguranças. E aquela atitude que ela teve lá no primeiro capítulo, já não me pareceu tão absurda assim.

No desenrolar da história, pude acompanhar as pequenas e sutis mudanças que vão ocorrendo com Carina. Pude acompanhar o seu amadurecimento frente aos problemas e adversidades e seu desabrochar diante da vida como um todo. E ao final o que posso dizer é que estava completamente cativada por Carina e pela história. Dito isto, vamos à resenha...

Carina é uma mulher jovem, bonita, inteligente, financeiramente independente e completamente focada em seu trabalho, onde se destaca e se realiza. Ela é a presidente da rede de supermercados da família. Ao mesmo tempo é completamente solitária. Não tem amigos. Não tem uma boa relação familiar, já que não se dá bem com sua única irmã e vive com a indiferença e cobrança de seus pais(seu pai queria que ela fosse um menino, e por toda a vida a fez sentir que tinha que sempre se superar para conseguir agradá-lo). Tem uma alma doce, um bom coração, mas não consegue se relacionar facilmente com outras pessoas. Sua timidez e insegurança, não a deixam perceber sua beleza e nem o encanto que causa em outras pessoas. Costuma se vestir de um jeito desleixado, pouco feminino, como se quisesse esconder o corpo e dificilmente acredita que seja merecedora de amor.

Aurélio, é um homem de seus trinta e sete anos, que há cerca de dez anos atrás, sofreu um grande revés em sua vida. Algo que abalou profundamente suas estruturas, tirou dele as duas pessoas que mais amava e o fez ter que aprender a viver novamente, de uma forma dolorosa, solitária e com grande culpa. Apesar de continuar trabalhando na Clínica de seu primo, como massagista, passa os dias em profundo pesar, entediado, e se sentindo um monstro quanto a sua aparência. Aurélio já teve sua cota de sofrimento e apesar de ser ainda jovem não tem mais esperanças no amor e nem mesmo acha que seja merecedor de um dia ser feliz novamente.


O encontro destes dois ocorre em um momento tenso e preocupante na vida de Carina. Os dois têm sua cota de solidão, tristeza e desesperança, mas mesmo com tudo isso, algo acontece desde que se esbarram pela primeira vez. Suas vidas e a percepção que têm dela, começa aos poucos a mudar, causando em ambos estranheza, um certo desconforto e muito medo do que está acontecendo com eles. O que lhes causa, muitos mal-entendidos, algumas situações inusitadas, alguns dissabores, e muita confusão até conseguirem aceitar seus sentimentos, as mudanças em suas vidas, e principalmente acreditar na relação que foi surgindo entre os dois.

Carina(Cal) e Aurélio(Leo), começam a se ver com mais frequência e a cada passo dado para frente, uns dois eram de retrocesso no relacionamento. Por serem pessoas fragilizadas e solitárias, são desconfiados, medrosos e ficam o tempo todo querendo esmiuçar as reações do outro, mas sem nunca chegar ao entendimento real do que sentem e do que causam ao outro. Estão sempre se desmerecendo, tendo atitudes errôneas e assim causando muitas vezes o afastamento. Tinha horas que eu tinha vontade de entrar na história e dar umas boas chacoalhadas nos dois, de tão irritada que eu ficava com eles. Mas, ao mesmo tempo eu entendia suas atitudes e o que as motivava. E só podia ficar ali torcendo para que logo conseguissem libertar e dar vazão aos seus sentimentos sem medo. Muitas vezes discordei de algumas atitudes que eles tomam frente aos acontecimentos, em outras ocasiões, achava suas reações a determinadas coisas exageradas, mas nada disso me fez gostar menos da história.

Uma coisa que gostei muito, foram as várias menções que a autora faz a músicas e livros em sua história. Foi um bom acréscimo e me deixou ainda mais empática aos seus personagens. Uma das músicas citadas pela protagonista é Chão de Giz, a qual tem uma letra, que é completamente pertinente a situação que Carina vivia no momento. Uma das séries de livros que mais amo, A Irmandade da Adaga Negra, também é citada e a conversa dos protagonistas sobre a série, acaba revelando algumas facetas de suas personalidades. Também tem várias passagens e diálogos que renderam muitos e muitos quotes, e colocarei alguns aqui, ao final da resenha.


Diana criou uma história que tem no sofrimento, nos preconceitos que ás vezes nós mesmos nos impomos e também nos preconceitos que muitos de nós temos e nem mesmo percebemos até estarmos frente a eles, seu grande diferencial. Ela aborda temas fortes relacionados não só aos preconceitos, como também relações familiares difíceis, aceitação de quem somos e como lidamos com isso, dificuldades profissionais, a capacidade que as cidades têm de fazer com que pessoas com algum tipo de deficiência se sintam integrados na vida cotidiana de uma forma confortável, e muitos outros temas de uma maneira séria, lúdica, mas suave, de maneira que nada fica pesado demais, nem cansativo.

As diferenças de personalidade, de situação social, são o ponto forte dos principais problemas que o casal enfrenta, mas a cada barreira que lhes é apresentada, mesmo que num primeiro momento lhes cause dissabor ou sofrimento, isso os vai aproximando e os tornando mais fortes, como também fazendo que o relacionamento entre eles vá se solidificando e se desenvolvendo até o momento de estarem plenamente em sintonia e convictos de que merecem estar juntos e serem felizes.

Os personagens secundários, como a mãe e o primo de Aurélio, os pais e a irmã de Carina, entre outros, são muito bem caracterizados e contribuem bastante no andamento da história. Cada qual tem o seu papel nos dissabores e nas alegrias do casal.

A capa do livro é linda e remete à história. A diagramação é simples mas caprichada. Não encontrei erros de revisão, nem de grafia. A cor das páginas aliada a fonte usada, deixam a leitura confortável. A cada início de capítulo temos um desenho de flores, o que o deixa mais bonito. Enfim, uma edição caprichada e muito bem realizada por parte da Editora.

Para aqueles leitores que gostam de histórias sobre superação, perdão, amor, e onde os personagens fogem dos estereótipos de lindos e perfeitos, esta história é uma grande pedida. Aurélio é um mocinho marcado no corpo e na alma por uma tragédia e Carina é uma mocinha fora dos padrões de beleza usuais das mocinhas, o que os deixa mais próximos de nossas realidades e do nosso cotidiano, fazendo assim que tenhamos uma completa empatia por eles.

Com toda a certeza, não consegui transpor aqui, tudo o que senti e vivenciei com esta leitura. Mas espero ter conseguido passar um pouco do que senti, e que vocês tenham a curiosidade de conferir esta conturbada história de amor. Sei que não comentei muito da história em si, mas acho que isso tiraria todo o brilho da leitura, toda a surpresa e gama de sentimentos por ela despertada.

Aprendemos durante a leitura, que nem sempre temos a força necessária para enfrentarmos as adversidades sozinhos. Que nem sempre somos capazes de assimilar o que sentimos corretamente. Que nem sempre tudo é o que parece à primeira vista. E principalmente que somos capazes sim, de superar as adversidades, os infortúnios que nos acontecem e conquistar um recomeço para nossas vidas. Todos nós merecemos a chance de recomeçar e ser feliz!
Uma leitura que Recomendo!

QUOTES
 Subitamente, o som da música que tocava no rádio despertou-me de minhas reflexões. Era "Chão de Giz". Eu adorava essa música e, embora eu nunca tivesse tido nada com Aurélio, ela parecia combinar perfeitamente com a minha situação. Eu estava sendo torturada por meus próprios devaneios e, ainda que eles não fossem tolos, eu sentia-me tola por não encontrar as respostas apropriadas para eles. Além disso, Amália era minha grão-vizir, o empecilho maior para que eu chegasse ao coração dele. Ou eu estava enganada e ela era apenas um dos tantos obstáculos que minavam as minhas chance de tê-lo? Eu estava muito confusa, não tinha como responder a esta pergunta. (Carina, pág. 90)
 A perspectiva de nunca mais me encontrar com Carina despertava-me diferentes sensações. Por um lado, tal perspectiva deixava-me aliviado, pois não teria mais de lidar com a confusão de sentimentos e atitudes que ela me provocava. Por outro, tal perspectiva fazia-me sentir culpado e ainda mais vazio. Eu sentia falta do seu tom de voz meigo e tranquilo, de seu carinho, de seu perfume suave e único, e até de seus conselhos, embora não os seguisse. (Aurélio, pág, 103)
 Quando eu enxergava, minha relação com os livros era... um pouco atípica. A sensação que eu tinha era a de que não era eu que escolhia os livros para ler. Era como se os livros me escolhessem, como se eles me chamassem para lê-los. E eu gostava de atender a esse chamado. Então... - revelou Aurélio, mas se interrompeu quando eu comecei a rir e, baixando a cabeça perguntou.  - É tão estranho assim? Você está achando que eu sou doido, não é? (pág. 125)
 O tempo é implacável! Não respeita a dor, a frustração ou o vazio. Ele simplesmente passa, arrastando consigo esses sentimentos para um incômodo passado, mas não para o esquecimento completo.  Fazia um mês que eu não via Aurélio, e o meu escritório parecia-me permanentemente vazio e anormalmente grande. Faltava-me ele e tudo parecia enfadonho e despropositado sem sua presença. ( pág. 184)
 "Não há tormenta capaz de ocultar para sempre o Sol." (pág. 425)



5 comentários:

  1. Muito obrigada pela linda resenha, Lia! Adorei!

    Abraços,
    Diana Scarpine.

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  2. Oie
    Não conhecia a autora e nem o livro, mas pela tua resenha pude perceber que o livro é muito bom, um enredo bem interessante.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br

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  3. Oi, Lia!
    É incrível quando nos surpreendemos tão positivamente com uma história que não sabemos muito bem o que esperar.
    Fiquei interessada no enredo, parece ser muito bem criado, principalmente por desenvolver tão bem a protagonista durante a leitura.
    Adorei a resenha.

    Beijos
    construindoestante.blogspot.com.br || Concorra a um vale presente de R$40,00

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  4. Ooi gostei bastante da resenha, tem um enredo muito bom !
    beijinhos boa semana
    bellapagina.blogspot.com.br

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  5. Oi Lia!

    Realmente a capa é maravilhosa! Eu fiquei bem interessada, ainda mais sabendo que é história sobre superação, perdão e amor.
    Dica anotada.

    Bjos
    http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/

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