[RESENHA] Fique Comigo - Ayòbámi Adébayò - HarperCollins Brasil


  Olá pessoal! Tudo bem?
  Hoje eu trago para vocês a minha opinião sobre o livro Fique Comigo, escrito pela autora nigeriana Ayòbámi Adébayò que a Editora HarperCollins Brasil está publicando.


. Título Original: Stay With Me
. Título: Fique comigo
. Autora: Ayòbámi Adébayò
. Editora: HarperCollins Brasil
. 1ª edição
. Ano: 2018
. 240 Páginas
. ISBN: 978-85-9508-320-2
. Tradução: Marina Vargas
. Sinopse: Yejide espera por um milagre: um filho. É o que seu marido deseja, o que sua sogra deseja, e ela já tentou de tudo para engravidar. Mas, quando seus parentes insistem que seu marido receba uma nova esposa, Yejide chega ao limite. Tendo como pano de fundo a turbulência política e social da Nigéria dos anos 1980, Fique comigo relata a fragilidade do amor matrimonial, o rompimento de uma família, o poder do luto e os laços arrebatadores da maternidade. Uma história sobre as tentativas desesperadas que fazemos para salvar a nós mesmos, e a quem amamos, do sofrimento.


Montanha Russa de Emoções

   Fique Comigo é o primeiro livro da autora Ayòbámi Adébayò e particularmente estreou  muito bem. Que história maravilhosa!
   Retratando a cultura nigeriana dos anos 80, Fique Comigo conta a história de Yejide e Akin, um jovem casal que se amam bastante e vive um casamento monogâmico onde a poligamia é amplamente aceita no país. Quando Yejide e Akin se conheceram e se apaixonaram na universidade, os dois decidiram que a vida conjugal deles não seria poligâmica. Akin prometeu não ter outras esposas.

   Mas após quatro anos de casamento, o casal ainda não tinha seu primogênito e a cobrança era muito forte em torno de Yejide. O casal já tinha feito exames, consultado com médicos especialistas em fertilidade e vários curandeiros. Todos eles afirmavam que o resultado estava tudo normal e Yejide não conseguia engravidar.

    No domingo pela manhã os familiares de Akin chegam à casa do casal dizendo precisava discutir  um assunto muito importante e mandaram Yejide chamar Akin que estava descansando. Quando Yejide retorna para a sala, a família apresenta a jovem Funmi, a segunda esposa de Akin. A mulher que daria os filhos para Akin, pois Yejide não conseguia lhe dar herdeiros.

    Na família de Akin, as antigas tradições culturais permaneciam quase imutáveis e o casamento de Akin e Yejide estava tornando-se uma espécie de choque cultural para eles. Pressionado, Akin acaba aceitando a segunda esposa mesmo não tendo nenhum interesse na moça. Decisão que deixa Yejide abalada emocionalmente.

    A partir deste momento, a história traz uma sucessão de erros cometidos pelos personagens por causa da invasão e a pressão dos familiares. É erro em cima de erro, uma verdadeira bola de neve recheada de mentiras que vai desequilibrando a estrutura do casal.
   Durante a história  o leitor acompanha como Yejide vai desagregando por causa do sofrimento. Sua história familiar é muita dolorosa e solitária pelo fato dela ter perdido a mãe durante seu parto e as outras esposas do pai não aceitavam ela como membro da família. Ao casar com Akin, Yejide achava que tinha conquistado o espaço que tanto desejava dentro de uma família, mas para a família de Akin, Yejide não tem valor nenhum se ela não engravidar.

  O maior problema deste casal, desde o início,  foi a falta de comunicação. A pressão em cima deles era tanta que Yejide e Akin não conversavam para expor os sentimentos e por causa da chantagem emocional dos familiares, Akin e Yejide acabam tomando atitudes perigosas e desesperadas.

   Tive a impressão que poderia ter sido pior, porque a Yejide não era uma mulher presa as tradições culturais e sociais. Mas ao ver a Funmi como uma esposa rival que poderia dar filhos ao Akin, ela chegou ao limite com um esgotamento emocional muito forte e Akin enxergando Yejide numa situação extrema acabou seguindo um caminho grave para um relacionamento.

    O livro trata a questão da maternidade como um papel muito importante na sociedade nigeriana, mas contém um pano de fundo bem interessante. Mostrando uma Nigéria bastante turbulenta politicamente com um governo sofrendo golpes militares. Esses trechos sobre a política não interferem na história da família de Akin e Yejide, mas é útil para mostrar como a população estava preocupada, insegura e frágil com a crise política. 

   Além de abordar o regime político, as tradições e costumes da Nigéria, a Ayòbámi Adébayò também mencionou sobre a anemia Falciforme. Uma doença hereditária e caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue. Transmitida dos pais para os filhos, mas infelizmente não tem cura.

   É um livro muito bem escrito e tem uma qualidade maravilhosa. A escrita da Ayòbámi é muito gostosa de ler e profunda. Merece ficar de olho nessa autora, porque ela vai longe. A HarperCollins Brasil publicou com a mesma capa do livro original. A diagramação está impecável nas folhas amareladas do papel Chambril Avena.


   Finalizo minha resenha pedindo desculpas pelos pequenos spoilers, mas para minha opinião desenvolver livremente, eu precisei deixar algumas informações. Entretanto afirmo em dizer que tudo que falei é apenas um inicio. São várias revelações envolvendo o casal dentro dos costumes e uma cultura diferente da que nós estamos acostumados a viver. Recomendo para todos os leitores que apreciam histórias impactantes com força emocional muito grande. Vale a pena demais.
“- Por que você não permite que meu filho tenha um filho?
 - Eu não fabrico crianças. Deus é quem faz isso.
- Você já viu Deus em uma sala de parto parindo um bebê? Diga-me Yejide, já viu Deus na maternidade? As mulheres fabricam crianças e se você não consegue fazer isso, então não passa de um homem. Ninguém deveria chamá-la de mulher.”
 ( Pág. 42 )

   Sobre a autora:

  Ayobami Adebayo é uma escritora nigeriana.As histórias de Ayobami Adebayo apareceram em várias revistas e antologias, e uma delas foi altamente elogiada na competição de contos da Commonwealth de 2009. Possui bacharelado e mestrado em Literature in English pela Obafemi Awolowo University, Ife. Além de mestrado em escrita criativa da Universidade de East Anglia, onde foi premiada com uma bolsa internacional de escrita criativa. Ayobami recebeu bolsas e residências da Ledig House, Hedgebrook, Threads, Ebedi Hills e Ox-Bow.


  Espero que tenham gostado!

Kênia Candido:
Eu sou dona do blog Histórias Existem Para Serem Contadas. Mineira completamente apaixonada por livros, filmes e seriados de TV.

12 comentários:

  1. Oie Kênia =)

    Não conhecia o livro, mas lendo a sua resenha a história me pareceu muito tocante. Gosto de narrativas que abordem culturas diferentes da nossa, justamente porque as vezes acho que falta um pouco de choque de realidade para nós brasileiros.

    Dica anotada!

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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    1. Oi Anne.
      Também gosto de histórias com culturas diferentes, é sempre um aprendizado e essa parece ser muito interessante.
      Bjus

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  2. Olá, Kênia.
    Fiquei um tempão tentando escrever essa resenha porque tudo o que a gente quer falar pode ser spoliers hehe. Eu odiei o Akin. Achei ele egoísta e cruel por ver o que ela estava passando e mesmo assim não contou a verdade. Mas amei o livro. Gosto de ler sobre outras culturas porque só assim damos valor a liberdade que temos e nem percebemos.

    Prefácio

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    1. Oi Sil.
      A resenha da Kênia somada ao seu comentário me deixou mega curiosa.
      Bjus

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  3. Oi Kênia,
    eu adorei a resenha e tô muito ansiosa pra poder ler esse livro. Ainda não recebi o meu da parceria - acho que os Correios tão me sacaneando!-, então a cada resenha positiva que leio minha ansiedade só aumenta. Quero principalmente poder conhecer um pouco mais da cultura e história da Nigéria, acho muito importante abrirmos espaço para países e culturas que não são tão conhecidos na grande mídia.

    Att.,
    Eduarda Henker
    www.queriaestarlendo.com.br

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    1. Oi Eduarda.
      Também achei a proposta do livro muito interessante e depois da resenha da Kênia fiquei muito curiosa!
      Bjus

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  4. Olá, Kênia! Como vai?
    Eu já havia visto uma resenha desse livro e fiquei curiosa com a história, embora não seja uma leitura que eu faria no momento.
    Acho interessante o fato de mostrar a cultura, mas ao mesmo tempo triste a questão da pressão dos familiares e os erros cometidos pelos personagens por conta disso.
    Fiquei curiosa pra saber o final, haha.

    Ótima resenha!
    Beijos! Dear Masen

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  5. Oi
    essa parece ser uma leitura boa, mas um pouco difícil de se realizar, triste que a familia fique fazendo pressão e pela falta de comunicação acaba levando eles a péssimas escolhas, gostei da sua resenha.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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    1. Oi Denise.
      é muito triste quando a família atrapalha a relação do casal, e mais triste ainda que um deles se deixe manipular.
      Bjus

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  6. Uau, que história envolvente e dramática :/ fiquei chocada e triste lendo a resenha. Tadinha da primeira noiva, que oprimido eles são pela família :/ Mas gostei muito da resenha ^-^
    Beijos ❤

    Jardim de Palavras

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    1. Pois é Melissa.
      Outra cultura, outros costumes e infelizmente ainda faz muitas mulheres sofrerem.
      Bjus

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